03.03.2021
Dia Mundial da Audição 👂
Este dia que se tornou tão especial nas nossas vidas.
Ouvir! Esse sentido que dá tanto à vida, que nos carrega as emoções, que nos permite comunicar e sonhar.
O Duarte nasceu com perda auditiva grave bilateral. Faz testes recorrentemente, usa aparelhos auditivos, ouve de forma diferente e vive como qualquer criança da sua idade. Esforça-se tremendamente para não perder pitada na escola, eleva-se cada vez que alguém o olha de esguelha e não se coíbe de nada.
Adora música, gosta de dançar, gosta de cantar e encantar. Adora ouvir a chuva e o mar. Gosta de jogar Rugby e da natação.
- qual o som que mais gostas? Pergunto-lhe.
- (pensativo...) gosto muito do som quando estou a beber água, e gosto do som dos beijinhos, gosto da minha voz e gosto da voz fofa e das gargalhadas do primo Zé. Gosto do vento, das cigarras e dos grilos, do som dos carros e das folhas secas. Gosto muito do som quando pomos o código para entrar em casa. Aquele pi pi pi. É tão giro, não é mãe? Respondeu.
Dá valor a sons que para um ouvinte são banais.
Não há nada mais especial que vê-lo crescer indiferente à condição com que nasceu, apaixonado pelos sons que conheceu tarde, alheio a algum preconceito que todos sabemos existir e com uma capacidade incrível de se superar.
Costumo dizer-lhe que no meio de tudo isto, é um menino de sorte... e sabem porquê? Porque é feliz e pode, sempre que quer e lhe apetece, desligar do mundo barulhento e entrar num mundo só dele onde só entra a imaginação. E ele? Ele sorri porque no mundo dele, não há nenhum diferença que o amor não supere!♥️
Um beijo no coração
Rita
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| Natal 2020 |
2020: O ano do avesso do mundo.
O
ano dos meus 40. O ano das fichas todas. O ano da introspecção à bruta.
O
ano para nunca esquecer de tão importante que foi (em todos os sentidos).
O
ano que nos fez sentir na pele que o mundo pedia calma quando tudo se
precipitava.
O
ano que nos fez acreditar que nada pode ser pior que a privação da liberdade,
dos afectos, dos abraços mas o ano que deu a todos a certeza dos que valem ter
por perto e daqueles que não fazem falta nenhuma.
O
ano que acelerou, pediu pressa ao esforço conjunto e fingiu que a loucura disto
tudo era normal.
O
ano que nos levou tanto e nos deu a certeza a que vida é mais do que rotina
tola, queixume desnecessário e dias que passam todos iguais.
O
Ano mais desafiante da minha vida profissional que me deu uma incrível viagem
numa Montanha Russa de emoções.
Ao
novo Ano, peço que venha tranquilo, com paciência e saúde, sem planos e
sobressaltos que nos assaltem a alma.
Que
tudo se acalme. Que tudo se resolva. Que tudo se encaixe.
2021:
o ano de reconciliação com o avesso do mundo.
Haja esperança 🍀
Um beijo no coração,
Rita
"Andas longe... não partilhas nada... não escreves."
É o que me dizem ultimamente.
A verdade é que com este mundo virado do avesso ando
a reboque dele e com um relógio a passar depressa demais.
Conformada que nada será como antes e claramente mais realista e menos sonhadora.
Preocupam-me os mais novos que se estão a habituar a viver longe de afectos, de abraços, de toque, de beijos, de proximidade e os mais velhos para quem não é apenas mais um dia mas menos um dia de vida!
Preocupam-me as marcas que tudo isto deixará em nós.
Em Março, quando viemos para casa, achávamos (tolos)
que seriam apenas uns dias... viemos com a esperança nos dias a ganhar vida, do
sol, do nascer da flor... entrámos em casa ainda não era Primavera e saímos já
era Verão... assim, num piscar de olhos.
Vivemos um Verão cheio de esperança.
Enchemo-nos de sol, de praia, de passeios ao ar livre
e aproveitámos com a sabedoria dos últimos meses.
Arrisco dizer que nunca um Verão me encheu tanto as
medidas e ao mesmo tempo me deu uma sensação tão grande de vazio. Cada banho de
mar e cada dia de sol na cara me fazia sentir que tinha que o viver porque a qualquer momento podíamos
voltar para reclusão domiciliária.
A Televida deu lugar ao regresso às aulas, o regresso ao trabalho no escritório, o regresso lento a uma normalidade anormal, que me soube bem voltar a ter... mas todos sabíamos que isto ia voltar a acontecer. Todos sabíamos... mas ninguém quis acreditar verdadeiramente nesta possibilidade.
Voltámos parcialmente a casa: Teletrabalho a 100%.
Miúdos na escola. Televida em acção novamente.
O problema agora, é que já sabemos ao que vamos. Sabemos que não serão 15 dias e que o Bicho não se se vai embora assim.
Confinamentos parciais, recolhimento... tudo o que, concordemos ou não, temos que fazer para tentar travar esta avalanche.
Sabemos que o Natal está em risco, sabemos que
serão meses disto ainda e com um Inverno à porta, sem sol, sem alma quente, sem flores
a nascer, com dias cinzentos e pequenos que nos fazem sentir uma migalha neste
mundo virado do avesso.
Sinto-me perdida. Sei o que me compete fazer mas também sei que vamos perder muito pelo caminho e já perdemos tanto!
É por um bem maior? Óbvio que sim, mas o estrago
emocional só o vamos ver daqui a uns tempos.
Ando triste. Ando cansada. Ando assustada mas conformada e confiante que tudo isto acalmará e que daqui a muitos anos
olharemos para trás, de mão dada, e diremos:
"Em 2020 entrámos com os pés assentes na terra,
felizes e com esperança num ano incrível, mas calhou-nos a experiência de viver num mundo virado do avesso e que nos mudou a todos... para sempre".
Um beijo no coração!
Rita


